Florestas, tigres e a esperança da conservação

Ficar cara a cara com o enorme tigre indiano em seu hábitat natural é uma dessas experiências alentadoras capazes de renovar esperanças em um futuro melhor para o planeta. Foi assim comigo. Mal pude acreditar quando a poucos metros diante dos meus olhos, um representante da espécie com mais de dois metros de comprimento cruzou calmamente a estrada. Ele seguia resoluto seu caminho e não se incomodou com os humanos atônitos a olhar fixamente em sua direção de cima de um pequeno jipe aberto. Foi possível ver nitidamente cada detalhe do corpo colossal e das listras pretas a percorre-lo em belos desenhos. É um design funcional, oriundo de milhões de anos de seleção natural. Mas poderia ter saído da tela de um artista plástico.

A beleza do animal é arrebatadora, sem dúvida. Mas minha emoção brotou também dos significados ecológicos da simples presença de um tigre ali: a existência de grandes carnívoros em uma floresta atesta a saúde ambiental de todo o ecossistema. Matas impactadas em níveis profundos podem até ter suas árvores de pé mas perdem a capacidade de sustentar a intricada cadeia alimentar necessária para manter a fauna de grande porte à sombra de suas copas. Viram florestas silenciosas fadadas a desaparecer.

Os dois grandes remanescentes florestais que visitei no estado de Madhya Pradesh quando estudava o roteiro ideal para essa expedição fotográfica pelo interior da Índia diferem quanto a sua composição biológica e paisagens, mas são ambos protegidos dentro de unidades de conservação conhecidas pela grande concentração de tigres e, portanto, também ricas em muitas outras espécies típicas da flora e fauna indianas.

O Parque Nacional de Kanha tem florestas úmidas de árvores altas. É exatamente o ambiente retratado no filme “Mogli, o menino lobo”, um clássico do cinema. Quem já viu vai lembrar do personagem Balú, um urso bonachão. Pois seu original, o raro urso indiano, pode ser visto nas matas de Kanha onde divide paisagens idílicas com leopardos, barasinghas (um antílope endêmico), chacais, cachorros selvagens, raposas e até o grande gaur, ou bisão indiano. Já o parque Nacional de Bandhavgarh tem clima mais seco com uma mata baixa e aberta por onde circula a maior população de tigres indianos. Decidimos manter ambos os parques no roteiro da presente expedição fotográfica por serem experiências complementares de contato com a fauna, as paisagens e a cultura do interior da Índia.

As reservas naturais em boa parte do mundo, mas sobretudo em países em desenvolvimento como Índia e Brasil, são cercadas de enormes dificuldades e pressões. Conciliar o desenvolvimento social com a conservação da biodiversidade aparece como principal desafio e, nesse sentido, o turismo de observação de fauna vem sendo usado como ferramenta para  geração de renda com baixos impactos ao ambiente. Se bem conduzida, é uma atividade sustentável para a economia e natureza.

Por isso, ao avistar um animal como o tigre em plena mata original sou tomado pela sensação de que ainda é possível sonhar com dias melhores para nós todos. Não vejo a hora de voltar lá.

Luciano Candisani

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CONFIRA OS VALORES E CONDIÇÕES

Luciano Candisani

National Geographic

Se você aprecia a natureza e suas histórias, certamente será impactado por alguma foto produzida pelo olhar de Luciano Candisani. Uma de suas principais características do trabalho deste renomado fotógrafo, além de apurado rigor estético, é criar narrativas visuais e, com isso, oferecer uma importante informação documental a quem observa suas imagens.

Esse seu estilo, entre outras qualidades, como a determinação em busca da imagem ideal, rendeu alguns dos principais prêmios da fotografia no exterior e no Brasil, como o Wildlife Photographer of the Year, o Big Picture, o Prêmio Abril de Jornalismo, conquistado cinco vezes e, o prêmio de melhor fotógrafo de viagem pela revista Viagem e Turismo, este último concedido em 2017.

Além das premiações, várias de suas fotos retratando a biodiversidade foram publicadas nas páginas da conceituada revista National Geographic, tanto na edição brasileira como na americana, e entre outras versões pelo mundo afora. Algumas delas, inclusive, tornaram-se capas dessas publicações, alcançando grande prestígio internacional.

Candisani começou sua carreira fotografando expedições científicas no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo – USP, onde cursou biologia. Sua primeira grande oportunidade profissional surgiu em 1996, quando foi convidado a integrar uma expedição de três meses para as ilhas Shetlands do Sul, na Antártica, com o objetivo de documentar a vida marinha sob o gelo. Logo após seu regresso a São Paulo publicou a sua primeira foto, a bela imagem de uma estrela marinha, registrada a 30 metros de profundidade, nas geladas águas da baía do Almirantado, próximo ao rochedo Napier, na Antártica, na capa da revista Globo Ciência (atualmente conhecida como Galileu).

Desde então, Candisani percorreu alguns dos lugares mais remotos do mundo com o objetivo de registrar imagens relacionadas à biodiversidade, à conservação ambiental e às populações tradicionais. Em 1998, passou sete meses a bordo do veleiro Aysoo em expedição à Patagônia e à Terra do Fogo. No Brasil, fotografou no Amazonas, nos Lençóis Maranhenses, no Atol das Rocas, em Fernando de Noronha, no Pantanal, entre tantas outras localidades. Também já esteve em diversos países da África e da Ásia sempre com o objetivo de criar impactantes narrativas visuais que, além da National Geographic, foram veiculadas em várias outras publicações, como Terra (já extinta), Superinteressante, Época, Veja, The Guardian, Geo, BBC Wildlife, entre outras.

O fotógrafo acredita que as imagens que faz pode ser uma importante ferramenta para despertar entre as pessoas a importância para a conservação de espécies e ambientes ameaçados e, em 2007, a relevância de seu trabalho para a fotografia e a conservação ambiental foi reconhecida com sua nomeação como membro da Internacional League of Conservation Photographers (ILCP), entidade que reúne alguns dos principais fotógrafos de natureza do mundo.

Candisani participou de inúmeras exposições individuais e coletivas em diversos países, foi ainda jurado em duas edições do prestigioso World Press Photo, em Amsterdã – o principal prêmio da fotografia do mundo – e também publicou alguns livros. Um deles, Pantanal, na Linha-d´Água, sob o selo da National Geographic, resultado de dois anos de viagens ao Pantanal, sendo que uma das imagens desse trabalho recebeu o primeiro prêmio em uma das categorias do conceituado Wildlife Photographer of the Year de 2012. E não para por aí, ele também pertence ao seleto coletivo “the photo society”, que reúne exclusivamente os fotógrafos da edição americana da National Geographic e, em março de 2018, estreará um filme sobre seu trabalho no National Geographic Chanel.

Todo esse conhecimento e experiência ele compartilha nas expedições fotográficas que lidera pela OneLapse, atuando como um catalisador e auxiliando os participantes a encontrarem seus próprios caminhos e a refletirem sobre os tipos de imagens que os emocionam e o que desejam registrar. Para isso, segundo o experiente fotógrafo, é importante que cada viajante leve um bom conhecimento do tema que será explorado na viagem, pois esse conhecimento será essencial para aguçar o entusiasmo e a motivação durante as expedições.

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DIA A DIA

LEGENDA

  Café da manhã incluído
  Almoço incluído
  Jantar incluído

DIA 1 | DELHI

Chegada ao aeroporto internacional de Delhi. Recepção e traslado ao hotel para check-in. À noite, nos encontraremos com o fotógrafo Luciano Candisani para um briefing detalhado sobre o dia a dia da nossa viagem. Pernoite.

DIA 2 | DELHI

Pela manhã, visitaremos Old Delhi começando pela mesquita Jama Masjid, a mais importante para a comunidade muçulmana da cidade. Teremos tempo para explorar o interior do complexo até sairmos para uma caminhada pelos seus arredores, explorando as ruas estreitas num primeiro contato mais próximo do cotidiano caótico da Índia. As oportunidades fotográficas serão inúmeras entre lojas de todos os tipos, barbearias, mercados e vendedores de rua. Retorno ao hotel e pernoite.

DIA 3 | DELHI – RAIPUR – KANHA NATIONAL PARK

Seguiremos bem cedo ao aeroporto para embarque em voo de 1h30 até a cidade de Raipur. De lá, pegaremos a estrada por cerca de 6 horas até o Parque Nacional Kanha, o maior do estado de Madhya Pradesh e nossa primeira base em busca de imagens da biodiversidade desse importante remanescente de floresta original. O parque foi tema de fundo do ”Livro da Selva” de Rudyard Kipling, com seus 1.945 km² de bosques densos entremeados por extensa pradaria, árvores e maciços de de bambu silvestre. É considerado o habitat natural do tigre-indiano, nosso principal foco da expedição. Chegada ao lodge para check-in, jantar e pernoite.

DIAS 4 e 5 | KANHA NATIONAL PARK

Durante estes dois primeiros dias teremos saídas pela manhã e a tarde, aproveitando os períodos de maior atividade animal que coincidem com temperaturas mais amenas. Vamos explorar as belas florestas de Kanha, que conta com uma diversidade inigualável de habitats – de lindas florestas decíduas a colinas onduladas, savanas inspiradoras a belos planaltos – o parque abriga matas originais e paisagens idílicas habitadas por uma impressionante diversidade de espécies. Do tigre ao leopardo, o raro Barasingha (espécie de veado asiático encontrado apenas em Kanha) e a enorme variedade de pássaros. Vamos fotografar diferentes ângulos da floresta nas nossas saídas de safári sob a liderança de Luciano Candisani.

DIA 6 | KANHA – BANDHAVGARH NATIONAL PARK

Teremos um último safári em Kanha pela manhã, antes de retornarmos ao lodge para o café da manhã e check-out. Faremos uma viagem de cerca de 6 horas de carro com algumas oportunidades interessantes para fotografarmos o cotidiano das vilas pitorescas pelo caminho. Chegada ao novo lodge no Parque Nacional de Bandhavgargh, jantar e pernoite.

DIAS 7, 8 e 9 | BANDHAVGARH NATIONAL PARK

Aqui faremos novamente duas saídas diárias de jipe em busca da vida selvagem da região. Bandhavgarh é conhecido por oferecer as maiores chances de avistamento de tigres em habitat natural entre todos os parques nacionais indianos. Anteriormente reservado como local de caça dos marajás e seus convidados, Bandhavgarh tornou-se parque nacional em 1968. Seu terreno é cortado por uma cordilheira rochosa, que se eleva de leste a oeste, intercalada por pequenos prados pantanosos e por inúmeros vales arborizados. A densidade dos Tigres de Bengala, as principais estrelas do parque, é a mais alta da Índia. Bandhavgarh tem aumentado sua população de tigres por cinco décadas seguidas e, além deles, porcos-espinhos, javalis, sambar (veados asiáticos), cervos malhados e ursos-preguiça são abundantes. Também foram registrados aqui avistamentos de lobos indianos. Os tigres compartilham a abundância de presas com leopardos asiáticos. São 37 espécies de mamíferos e 250 espécies de aves coexistindo no parque, o que nos oferece uma grande variedade de oportunidades fotográficas.

DIA 10 | BANDHAVGARH – JABALPUR – DELHI

Hoje teremos uma última saída para safari pela manhã. Após o almoço, check-out e transporte até o aeroporto da cidade de Jabalpur, de onde embarcaremos com destino a Delhi (2 horas de voo). Chegada, traslado ao hotel para check-in e pernoite.

DIA 11 | DELHI – EMBARQUE

Manhã livre até o check-out. De acordo com o horário do voo, traslado ao aeroporto, de onde nos despediremos com ótimas recordações.

FIM DOS SERVIÇOS

GALERIA DE FOTOS

Fotos: Luciano Candisani. Todos os direitos reservados.

MAIS INFORMAÇÕES

   HOSPEDAGEM

DELHI: Sheraton New Delhi
KANHA NATIONAL PARK: Kanha Jungle Lodge
BANDHAVGARH NATIONAL PARK: Syna Tiger Resort
DELHI: Pullman Aerocity

 

 

INCLUI

  • 09 noites de hospedagem com café da manhã em Delhi e pensão completa nos parques nacionais
  • Traslados in/out privativos nos horários de voos sugeridos no momento da confirmação das reservas
  • Transporte privativo ao grupo para todas as locações descritas no roteiro
  • 05 saídas para safari no Parque Nacional Kanha e 07 saídas no Parque Bandhavgarh
  • Passagens aéreas internas com taxas de embarque
  • Acompanhamento de guia local falando espanhol em Delhi, além de guias dos parques nacional e guia naturalista dos lodges durante os safáris
  • Acompanhamento do fotógrafo Luciano Candisani em todas as locações e orientações fotográficas conforme objetivos de cada participante
  • Acompanhamento de coordenador operacional da OneLapse durante todo o roteiro
  • Entradas para todos os locais visitados
  • Seguro viagem April – Plano Max 60 Mundo

NÃO INCLUI

  • Passagens aéreas internacionais e taxas de embarque (consulte-nos para cotação e emissão dos voos)
  • Traslados para horários de voo fora dos selecionados pela OneLapse
  • Excesso de bagagem nos voos internos (máximo de 15kg por pessoa)
  • Almoço e jantar fora dos parque nacionais e bebidas durante as refeições
  • Visto indiano (emitido online a um custo médio de USD45 por pessoa)
  • Despesas pessoais e gorjetas

OBSERVAÇÕES

  • Os valores são por pessoa, estão em Dólares Americanos (USD) e serão convertidos ao Real levando em conta a cotação do Dólar Turismo do Valor Econômico no dia do envio do contrato de viagem;
  • Para esta viagem, brasileiros precisam de passaporte com validade mínima de 6 meses a partir da chegada a Índia, certificado internacional de vacinação contra a febre amarela e visto online previamente emitido;
  • Não podemos garantir a visualização dos tigres ou qualquer outro animal em específico durante os safáris, pois são situações fora do nosso controle. No entanto, planejamos a expedição de modo a maximizar as chances;
  • A ordem do roteiro pode ser alterada caso o guia e/ou o fotógrafo responsável considerem necessário.

 

EQUIPAMENTOS RECOMENDADOS

  • Câmera fotográfica
  • Cartões de memória
  • Tripé
  • Lentes de 17mm a 400mm

* Em caso de dúvidas, entre em contato conosco.

 

VOOS INTERNACIONAIS

Chegada a Delhi no dia 25 de março (preferencialmente até o meio dia). Embarque de retorno no dia 4 de abril em qualquer horário. No momento da confirmação do grupo será enviada uma sugestão de voos para que todos possam embarcar juntos (consulte-nos para a emissão das passagens aéreas).

QUER SE INSCREVER OU TEM DÚVIDAS?

PARTE TERRESTRE – VALORES POR PESSOA

POR PESSOA EM ACOMODAÇÃO DUPLA:

US$ 4.590,00*

SUPLEMENTO VOLUNTÁRIO PARA ACOMODAÇÃO INDIVIDUAL: US$ 750,00

SINAL EM DEPÓSITO NO MOMENTO DA INSCRIÇÃO: R$ 2.500,00

DESCONTO PARA OS 06 (SEIS) PRIMEIROS INSCRITOS: R$ 700,00

FORMAS DE PAGAMENTO:
  • À vista em depósito/boleto com 5% de desconto
  • 30% de entrada + Saldo em até 4x sem juros no cartão de crédito Visa/Master

 

* Caso o grupo seja fechado e não haja um participante para dividir o quarto duplo, deverá ser pago um suplemento involuntário no valor de US$375,00. Este valor será cobrado a vista em até 72h antes do início dos serviços.

** Esta viagem exige um número mínimo de 8 participantes para que o grupo seja confirmado. O sinal não é reembolsável em caso de desistência da viagem e não pode ser transferido para outro destino. A confirmação ou não da saída será feita no dia 30 de dezembro ou antes, caso já tenhamos atingido o número mínimo de participantes. Confirmando o grupo, o valor do sinal será abatido da entrada e caso o mesmo não seja confirmado, o valor será integralmente devolvido.