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EXPEDIÇÃO FOTOGRÁFICA – ÍNDIA

/ EXPEDIÇÃO FOTOGRÁFICA – ÍNDIA

WORKSHOP DE FOTOGRAFIA DOCUMENTAL – MARÇO 2016

COM ÉRICO HILLER (NATIONAL GEOGRAPHIC)

Por Érico Hiller:

A Índia é sempre fascinante. Quem não foi, deve ir um dia. Seja para o olho do fotógrafo ou para quem quer conhecer melhor o mundo ou a si mesmo. Um convite óbvio para uma grande viagem pelo mundo e também uma viagem interior, uma chance de rever valores, opiniões, testar seus limites e ampliar seus horizontes culturais. Eu tive a felicidade de rodar por este belíssimo país pela terceira vez, e esta última em março de 2016 foi algo único, onde conduzi um grupo para explorar o destino com um enfoque fotográfico documental. Por mais que eu considerasse já conhecer um bocado, senti tudo de novo. Um êxtase, a alegria de andar e explorar, conhecer, ver, sentir e viver. Neste workshop organizado pela OneLapse juntamos um grupo magnífico, e nos tornamos amigos inseparáveis de Whatsapp. Pessoas do Brasil todo, que embarcaram comigo para esta que foi uma das viagens mais interessantes que já fiz na vida. Não só porque estive no olho do furacão do Holi Festival (o Festival das Cores) pela primeira vez. Mas porque eu estava lá bem acompanhado de gente interessante e do bem. Não bastasse, visitamos locais que jamais se perderão em minha memória, como o Taj Mahal, Jaipur e Varanasi, esta última, considerada a cidade mais antiga do mundo.

Por mais que eu tenha muita experiência em viajar e rodar o planeta em busca de minhas histórias, eu pude refrescar a certeza de que, por exemplo, eu ainda tenho uma paixão pela rua, pelo caminhar e pelo diferente. Isso me instiga e é a matéria prima da minha fotografia documental. Convidei estes meus novos amigos a embarcar nessa jornada comigo e mesmo nos dias mais malucos e nas condições mais extremas, fomos explorando este país magnífico aos poucos, para compor um mosaico de impressões, visões, opiniões e ideias, que nos permitiram praticar a boa fotografia e em grupo, nos engrandecer com trocas de experiências, vivências, comentários e opiniões (muitas divergentes, claro). E com toda esta riqueza que nos permitimos em cerca de dez dias, este workshop foi uma chance de levar nossa linguagem fotográfica a fronteiras mais distantes e reunir um punhado de histórias que serão lembradas por muitos e muitos anos. Aqui eu conto um pouquinho de cada etapa da viagem.

Passamos os primeiros dias em Delhi. A capital indiana foi nossa base para o descanso inicial e um bate papo de briefing onde lancei um desafio: cada participante deveria terminar nossa jornada com 13 imagens cada, as melhores fotos que pudessem fazer, cujo conjunto contasse aquilo que vivenciamos. Também em Delhi, pudemos experimentar a apimentada gastronomia indiana, nos familiarizar com o câmbio, com o clima, conhecer lojas/vielas espetaculares e ter contato com esta cultura, ora muçulmana e ora hindú, que mergulhamos a fundo e com muita intensidade, apesar do nosso pouco tempo. O grupo era bem heterogêneo, tinha de arquiteto a médico e todos sedentos por se desenvolver melhor na fotografia. Foi genial, cada um no seu ritmo, e tentamos dosar entre longas caminhadas e atividades inusitadas, por exemplo, um jantar que nos foi oferecido em uma típica residência indiana, uma família abastada e muito gentil, que nos contou um pouco sobre como os indianos vivem. A comida estava bárbara e preciso admitir que até bebemos um bocado. Voltamos para o hotel exaustos e com aquele sentimento delicioso que havíamos terminado um dia único, singular.
Fotos: Érico Hiller / Paulo Rapoport. Todos os direitos reservados.
De Delhi fomos para Varanasi, para mim, o ponto alto da viagem. As texturas, o tumulto e a atmosfera religiosa desta que é considerada a “cidade mais antiga do mundo” encantou e tirou o fôlego do grupo. Cada um em silêncio procurava compreender através de suas fotografias a complexidade e a beleza de um lugar que é destino certo para qualquer amante de viagens. Foi um sonho antigo realizado para mim e até hoje me pego olhando minhas fotos, ainda surpreso com tantas cores, gente e uma miscelânea cultural e humana que poucas vezes vemos combinadas dentro de uma composição. A “verdadeira fotografia” como eu gosto de dizer. Lá as pessoas são amigáveis, se permitem fotografar e o clima seguro e a onipresença da religiosidade dão um tom místico e sereno à cidade. As fotos, claro, mostram isso, sobretudo na cerimônia religiosa que acontece há milênios, diariamente, todos os finais de tarde com cânticos e danças com fogo, em um grande palco aberto ao público à margem do Rio Ganges. A partir de uma embarcação, ficamos ali assistindo, quase em silêncio. Um silêncio diferente, espiritual, que só era interrompido pelo disparar de nossas câmeras. Alguns deixaram o equipamento de lado e apenas observaram. Ali, nosso grupo se uniu, celebrou e nos sentimos um.
Fotos: Érico Hiller / Paulo Rapoport. Todos os direitos reservados.
Jaipur, no Rajastão, foi nosso próximo destino. A “Cidade Rosa” como é chamada, nos permitiu fazer um passeio magnífico e divertido, que é andar de elefante até o alto do Forte Amber. Pudemos ver a imponência das construções e conhecer um pouco mais da história da Índia. Acompanhado de um guia muito divertido, que mais parecia um mexicano (por falar espanhol), tivemos ali também um desvio de rota interessantíssimo em uma de nossas incursões urbanas, que foi visitar um edifício residencial comum, lindamente decorado onde uma família nos recebeu para fotos e contou um pouco como vivem ao longo dos anos. Foi um momento bem bacana, tiramos fotos e até trocamos algumas imagens por Whatsapp depois com o pessoal. Jaipur marcou muito nossa viagem, passamos a conhecer mais o país e assim, fotografar com mais precisão e discernimento. Cada um na sua caminhada interior, íamos transformando o que víamos em imagens magníficas. Em uma das noites em nosso hotel, me reuni com um grupo e fiz uma apresentação sobre fotografia de viagens, mostrei exemplos, livros e coloquei quase tudo o que eu sabia sobre o tema, para que ali juntos, pudéssemos trocar muitas experiências. Foi uma noite inesquecível. Depois saímos para jantar, tomamos um vinho e ainda de quebra vimos o ator Jackie Chan, que estava hospedado no mesmo hotel.
Fotos: Érico Hiller / Paulo Rapoport. Todos os direitos reservados.
De Jaipur partimos para Agra. No caminho, conhecemos uma interessante cidade fantasma, chamada Fatehpur Sikri, que foi capital do Império Mogol por apenas 14 anos, quando por falta d’água, foi abandonada e é atualmente um dos locais históricos mais conservados do país  e de uma beleza absurda. A “beleza”, aliás, foi um conceito recorrente em nossas acaloradas discussões. Eu defendia que apenas ela não era o bastante para alicerçar nossa fotografia e tínhamos que buscar sentido, sentimentos, pessoas, histórias para ajudar a criar o tecido de nossos documentários. Nem todos concordam, claro. Beleza, aliás, que tirou nosso fôlego ao visitarmos o Taj Mahal em Agra, nosso outro destino. O Taj Mahal foi um desses momentos mágicos, que pudemos separar o grupo, dar um tempo para que cada um andasse o observasse aquela construção deslumbrante, lotada de gente do mundo todo, indo lá fotografar e conferir porque este local mítico – que pouca gente sabe, mas é um grande túmulo – foi escolhido como uma das oito maravilhas construídas pelo homem no mundo.
Fotos: Érico Hiller. Todos os direitos reservados.
Por fim, na nossa rota final de volta para Delhi, tivemos o prazer de realizar uma das maiores loucuras fotográficas que todos nós já havíamos participado. O cenário perfeito para qualquer fotógrafo. Estar inserido no Holi Festival, o Festival das Cores. Para celebrar a chegada da primavera, os indianos de todas as parte do país (aliás, recentemente, até do mundo) se reúnem para jogar tinta em pó colorido ou água uns nos outros. A festa é celebrada dentro de casas, templos, hotéis e também, claro, nas ruas. Para exemplificar, daria para estabelecer um paralelo com o nosso Carnaval, onde pessoas vão para as ruas dançar, pular, beber e se libertar. E para tal, escolhemos um lugar bem típico, o melhor, onde o Holi ocorre nas ruas, como um incrível vai e vem de gente pintada, a cidade sagrada de Vrindavan. Uma loucura sem fim, algo que seria impensável e que me deixou perplexo em grande êxtase. Nem preciso dizer, me deixou todo tingido, lógico. E demorei alguns dias para me livrar dessa tinta toda. As nossas fotos foram impagáveis e fizeram um sucesso considerável nas nossas redes sociais. Eu jamais irei esquecer essa loucura que é fotografar o Holi. Uma viagem linda, que guardarei com um imenso carinho para sempre. Um grupo unido pela vontade de descobrir, ousar, experimentar e explorar. E agora a OneLapse tornou esta nossa atividade anual, fixa no calendário, e ano que vem tem mais. Quem serão os próximos?

Que venha a Índia mais uma vez. Muitas vezes. Viva a fotografia documental.

Fotos: Érico Hiller. Todos os direitos reservados.

BASTIDORES DA VIAGEM

Algumas fotos de bastidores durante a nossa viagem pelas principais cidades da Índia. Agradecemos a todos os participantes pela confiança, companheirismo e espírito de grupo fazendo com que esta tenha sido mais um workshop inesquecível.
Fotos: Érico Hiller / Paulo Rapoport / Cláudio Franco / Pedro Coelho / Narayan Dutt. Todos os direitos reservados.