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Namíbia | Das dunas ao litoral desértico

20 jun 2017 | Por Cristiano Xavier

Em busca das paisagens mais diversas da África

Linda, vasta, diversa e deserta. Algumas das características que fazem da Namíbia um lugar tão fascinante são percebidas logo da janela do avião que partiu de Johanesburgo, na África do Sul: parece até que faz sentido o título “lugar onde não existe nada”, tradução do nome do país na língua dos nama, uma das 13 etnias locais. Mas quando pousei com a mais recente expedição da OneLapse por lá, em junho de 2017, eu sabia que a realidade do país surpreende mais do que esse nome dá a entender.

Mesmo dona de uma das menores densidades populacionais do planeta – só perde para a Mongólia –, este inóspito país do sul do continente africano é um lugar onde existe, sim, muito a se ver. Especialmente para um grupo como o nosso, de apaixonados por paisagens, por boas luzes e pelos cenários mais inóspitos da Terra.

A escolha de um caminhão adaptado para expedições, com direito a estrutura de cozinha, brilha como um dos diferenciais mais positivos da jornada que organizamos por lá. Logo depois da primeira noite na capital Windhoek, caímos na estrada rumo ao sul do país com a melhor das autonomias em um contexto tão remoto: nosso transporte exclusivo nos permitiria estar nos lugares certos durante as luzes ideais – além de parar para fotografar, comer e simplesmente contemplar a realidade africana onde nossos desejos nos levassem.

Para deixar a todos boquiabertos, nossa primeira missão fotográfica foi explorar o raríssimo cenário da floresta de quiver trees (Aloidendron dichotomum), na fazenda de um amigo local, perto da localidade de Keetmanshoop. Ali, cerca de 250 dessas enormes suculentas com copas arredondadas nos proporcionaram belas composições visuais, juntamente com as curiosas formações rochosas da região. Isso tanto no primeiro pôr-do-sol como na manhã seguinte. Visitar o mesmo destino no nascer e no morrer do dia, por sinal, se tornou uma rotina ao longo dos 10 dias da viagem.

Quando avançávamos noite adentro, exercitávamos diferentes recursos de luzes artificiais, como lanternas e flashes. A Via Láctea é especialmente fotogênica na Namíbia, que tem um céu quase sempre limpo diante da absoluta ausência de chuvas. Logo na nossa segunda noite, aliás, vivemos o grande êxtase da expedição. Uma das viajantes do grupo gritou ao flagrar no céu uma luz oval verde cruzando o céu, por uns longos 5 segundos. Seria um drone? Um avião? Um disco-voador? Ao vê-la baixar no horizonte, iluminar o solo ao longe e provocar duas explosões, entendemos que havíamos sido premiados com a queda de um meteoro! Apenas 4 sortudos do grupo captaram o fenômeno – devidamente registrado em planos com as árvores e pedras fotogênicas do sul da Namíbia.

A euforia daquele momento mágico deu lugar a outras emoções nos dias seguintes. Em uma oportunidade, fotografamos 3 cheetas, felinos mais rápidos do mundo, a menos de 2 metros em uma espécie de refúgio protegido. No dia seguinte, foi a vez de as fotos de natureza darem lugar a nossos registros históricos, arquitetônicos e poéticos da cidade-fantasma de Kolmanskop. Erguida em 1908, durante a febre da exploração do diamante pelos colonos alemães, a cidade tem uma vibração misteriosa. O hospital, a biblioteca, a prefeitura… tudo nesse exótico deserto à beira-mar está abandonado, com luzes dramáticas entrando pelas janelas e cômodos cobertos por areias. Kolmaskop fica a 10 quilômetros da cidade portuária de Luderitz, de onde partiu, em 1984, o navegador Amyr Klink para a primeira travessia solitária a remo do Atlântico. Dormimos ali, em um hotel de frente para o oceano sem fim.

Cerca de 300 quilômetros em nosso supercaminhão nos levaram de volta ao interior, dessa vez para o cenário dos sonhos de qualquer fotógrafo. No Parque Namib-Naukluft, uma espécie de caldeirão forrado de sal está cercado por dunas de mais de 300 metros de altura. Trata-se de Deadvlei, cenário de outro mundo onde troncos de acácias secas contrastam com a argila branca do solo e com o paredão laranja das areias ao fundo – nas boas luzes que presenciamos de madrugada e no anoitecer. Nos hospedamos em um hotel que permitia que fôssemos os primeiros a chegar à beira daqueles fantásticos esqueletos vegetais, que não se deterioraram ao longo dos anos justamente pelo sal do lugar. Também tivemos autorização especial para fotografar à noite. O silêncio, a energia e a beleza da região ganharam cores especiais no dia do nosso sobrevôo de balão, diante de outros dois balões. Foi incrível.

Como se não bastasse, ainda faltava conhecer a Costa do Esqueleto. Voltamos assim para o litoral, rumo a Swakopmund, balneário que ainda preserva a arquitetura alemã. Por estradas difíceis, dirigimos paralelamente à praia em busca da grande atração daquela beira-mar: os navios encalhados, vítimas das águas volta e meia revoltas daqueles confins do Oceano Atlântico. Diante daquelas carcaças à mostra, como se fossem esqueletos, impactadas pelas ondas do mar, pudemos exercitar técnicas de longa exposição. Também usamos drones para clicar o navio do alto, naquele cenário sem viv’alma. Além de nós e do barco, o lugar não tinha mais nada. Esse nada absoluto que faz da nossa Namíbia um lugar tão especial.

Para 2018, já estamos planejando uma nova jornada pela Namíbia. Vamos aperfeiçoar cada detalhe, proporcionando aos entusiastas da fotografia de paisagens a melhor experiência possível. Enquanto isso, confira nossos outros roteiros focados na fotografia de paisagens.

Fotos: Cristiano Xavier. Todos os Direitos Reservados.

Cristiano Xavier

Autor:

Cristiano Xavier

Mineiro de Belo Horizonte, Cristiano Xavier é fotógrafo com grande experiência em fotografia de natureza, paisagens e fotografia noturna. É sócio da OneLapse, sócio da OneLapse e coordena a maior parte das expedições da empresa.

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